Em Anorexia e bulimia

Entrevistando a Anorexia: Kim, 18 anos.


Há um tempo atras existia uma categoria aqui no blog chamada "Anorexia e Bulimia" onde eu falava de acordo com a minha vivência sobre essas doenças. Hoje eu decidi abrir uma nova forma de abordar o tema, serão entrevistas com meninas que sofreram ou sofrem com transtornos alimentares. Com esse novo projeto aqui no blog tenho a intenção de ajudar a conscientização dessas doenças, tanto pra quem sofre, tanto para quem não sabe o que fazer com conhecidos nessa situação.
A primeira a ser entrevistada é a Kim, que tem 18 anos e não tem recaídas há um. 

Pergunta: Quanto começou os transtornos? Você se lembra de algo que possa ter desencadeado? Bullying, pais, namorado etc.
Kim: Em 2012, desde criança sempre fui humilhada na escola por ser mais gordinha que as outras crianças, em 2012 eu tinha 14 anos e tinha acabado de entrar numa escola nova, onde conheci uma garota já anoréxica e bulimica, e a convivência com ela fez com que eu aderisse as mesmas ideias de ideal de beleza que ela.

P: E como foi esses três anos pra você? O que você sentia? O que pensava sobre si mesma? 
Kim: Eu sentia que só seria bonita se fosse magra, que só ia ser igual as garotas que eu via no Tumblr, no cinema, se fosse magra. Eu sabia que era feia, então o mínimo que eu podia fazer era ser magra, pra compensar não ser bonita de rosto

Imagem de um tumblr que a Kim visitava frequentemente
P: Você acreditava que ser magra era sinônimo de felicidade? Por que tinha tanto a obsessão em ser igual as meninas do Tumblr/cinema? Queria ser aceita ou se aceitar?
Kim: Naquela época eu já não sofria tanto por ser mais gordinha, mas eu persistia porque na minha cabeça o ideal de beleza seria ser magra. Eu queria me orgulhar de cintura minúscula, pernas finas e braços quase infantis.

P: E quando você alcançava suas metas, você se sentia como?
Kim: Realizada, como se fosse parte da minha história.

P: Quais eram as piores coisas dessa época? Como seu namorado e amigos lidavam?
Kim: Meus pais. Apesar de demorarem muito pra notar o que eu tinha, eles sabiam que eu tomava chás e laxantes. Tinha que esconder na mochila porque reviraram meu quarto pra jogar fora os remédios e chás. Na época não namorava, mas o guri com quem eu ficava comprava todo dia uma barrinha de cereal, e me fazia comer na frente dele. Meus amigos viam que eu estava emagrecendo muito e comentavam isso, mas nunca num tom de repressão,  quase sempre elogiando.

P: E como decidiu buscar ajuda? Teve algo que te motivou?
Kim: Não decidi, fui forçada e agentes externos pioraram. Eu entrei numa depressão péssima porque perdi de uma vez só várias pessoas importantes na minha vida. E nesse mesmo período comecei a tomar anticoncepcional. Com a depressão, perdi o zelo com o corpo e o anticoncepcional me engordou. Nesse período comecei psicoterapia e sessões de psiquiatra além de acompanhamento nutricional.

P: E a terapia te ajudou?
Kim: Pouco, a psicóloga era muito ruim na área, no fim me mandou pra um psiquiatra que me encheu de remédios e antidepressivos.

P: O que você diria pra alguém que está entrando ou está passando pelo mesmo que você passou?
Kim: Diria que por mais que isso soe como frase de gente velha mandona, isso é só uma fase, com o tempo a gente percebe que existem coisas muito mais relevantes pra se preocupar do que estética corporal e magreza – fazendo um adendo, mas é uma observação que noto na minha vida, sempre que  começo a me preocupar com meu físico é quando não tenho nenhuma outra preocupação relevante. E que a pessoa tome consciência da quantia de consequências que o abuso de remédios, a privação alimentar e os vômitos trazem pra vida. E pense se realmente vale a pena tudo isso. 
Sabe, o ápice da minha anorexia/bulimia foi em 2012 e meu intestino só foi regularizar ano passado.... Além de que peguei trauma de comprimidos e não conseguia sequer tomar o anticoncepcional porque eu lembrava dos diuréticos e laxantes.

P: E o que você falaria pra alguém que tem um conhecido ou até mesmo filho com o problema? Como ela poderia ajudar?
Kim: Pra não agir de forma estúpida ou sem cautela com a pessoa. É um momento muito delicado, a fraqueza psicológica de quem se entrega à distúrbios alimentares é enorme, diria que o melhor a fazer é procurar entender o que levou aquilo a acontecer,  saber se a pessoa está sofrendo bullying, se é influência do círculo de amigos e procurar ajuda psicológica com um profissional capacitado pra isso.

Caso você tenha passado por algo parecido e queira ajudar contando sua historia, os nomes serão mantidos em anonimato se desejar, é só entrar em contato comigo em qualquer rede social ou por email: blogatravesdalinha@gmail.com

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