Entrevistando a Anorexia: Ivy, 21 anos

10:00


Segundo texto do projeto de entrevistar meninas que passaram ou passam por transtornos alimentares. Lembrando que se você quiser participar basta me mandar email (blogatravesdalinha@gmail.com) ou me chamar em qualquer rede social.

A entrevistada de hoje é a Ivy de 21 anos, atualmente pesa 56 quilos e começou a fazer dieta com 86kg. Seu mínimo foi 48kg em uma altura de 1,72.

Pergunta: Você se lembra de como começou seus transtornos?
Ivy: Eu não me lembro ao certo. Eu sempre fui uma criança gordinha e até aos 13 anos eu não ligava muito mas dai começaram as zoações e os apelidos e comecei a ficar mal. Na época fiz exercicios e minha mãe mudou minha alimentação, emagreci um pouco e estava tudo bem. Mas no final do ensino médio eu engordei novamente e estava namorando. Um dia meu namorado me disse que eu ficaria mais bonita se emagrecesse uns 20 quilos.
Eu fiquei triste, terminamos porque ele era bonito demais para mim, comecei a fazer dietas e na época eu só queria pesar 70 quilos, achava que estaria bom para minha altura. Fazia dieta e exercícios a semana inteira, quando cheguei nos 70 me achava mais gorda do que quando estava com 86 quilos. Pensei em emagrecer até os 60 e quando alcancei a meta me senti estranha porque estava triste com esse peso. Ficava sem comer, não comia nada e quando comia vomitava.
Cheguei aos 48 quilos e estava magra, só que muito triste pois me sentia gorda. Minha mãe me levou ao psicólogo  e fui diagnosticada com transtorno alimentar direcionado a anorexia nervosa.

Pergunta: Como foi o tratamento?
Ivy: Eu fiz tratamento por um tempo e até melhorei, engordei e voltei para os 60 quilos. Mas senti a vontade de emagrecer e me vi obesa novamente. Eu tenho noção que não estou obesa como eu me vejo mas não consigo parar de ver isso, de ter essa distorção do meu corpo.

Pergunta: Você ainda mora com a sua mãe? Ela sabe que você teve recaída? Alguém mais sabe?
Ivy: Eu estou morando sozinha agora mas ela sabe e me ajuda, as vezes vai em algumas consultas comigo. As pessoas acham que  a gente escolher viver isso mas a verdade é que quando você vê, já está afundada. É um doença muito silenciosa, ter um perfil aqui (nota: Twitter, onde foi entrevistada) ajuda a gente a desabafar, ninguém que tem essa doença quer que outra pessoa passe por isso.

Pergunta: Você está fazendo consulta com psicólogo? Já pensou em psiquiatra?
Ivy: Eu me consulto com os dois porque tenho transtorno de ansiedade, a recovery é muito dolorosa no começo por isso muitas meninas desistem.

Pergunta: Você está lutando pelo recovery?
Ivy: Sim, a coisa mais difícil no momento está sendo comer e não sentir culpa ou vontade de morrer. Consegui me livrar dos remédios que tomava diariamente. Tenho um auto controle agora que não tinha antes, comprei vários remédios mas não tomei. Ainda estou muito longe de ficar 100% bem.

A entrevista acabou aqui pois a entrevistada teve que sair. Recovery é quando você está tentando se recuperar e se tratar dos transtornos alimentares. No dia da escrita desse texto (15/05), o perfil de Ivy dizia que ela estava em uma dieta para chegar aos 40 quilos.

Como a Ivy disse, recovery é muito difícil e precisa de muita dedicação e apoio. Se você tem alguém que passa por isso, apoie e demonstre afeto. Haverá recaídas, mesmo depois de anos do recovery é possível que ocorra, será uma luta longa e árdua.


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1 comentários

  1. Realmente é algo bem silencioso, eu só consigo mandra todas as minhas forças para que a Ivy e todas as outras meninas que passam por isso consigam se reestruturar e recuperar logo. Imagino que a Recovery seja desafiador e bem difícil porque é uma luta constante. Acho muito legal você estar fazendo essa serie de posts aqui, sabe ajudar as pessoas, abrir espaço para elas falarem.
    Hurricane Stars

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